quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Some day I will lock the journal!

Agora és preto e o teu recheio são umas quantas páginas, completamente brancas, prontas para se entregar à minha caneta ocasional. No entanto, tu já foste cor-de-rosa cheio de desenhinhos e ursinhos, já foste azul e eras como um telhado de uma casa perdido na cidade onde os gatos pairam a noite toda, já foste um caderno, um simples e modesto caderno, sem ilustrações mas repleto de tristeza que eu fiz questão de queimar!
Nunca tratei bem os meus diários pois nunca os mimei com boas notícias nem flores oferecidas nem muitos menos com cartas de amor; rasgo as suas folhas vezes sem conta e prometo um novo começo que nunca começa; abandono-o nas gavetas por entre papeis e papelada. Os meus diários só servem de lenço, nunca de confidente nem de fiel amigo, pois é nele que enxugo as minhas lágrimas e deixo-as secar nas suas folhas gastas.
Diário, tu não falas mas se falasses já me terias gritado mil e um insultos por te usar apenas quando estou infeliz ou triste e agrafar nas tuas folhas lisas e brilhantes bilhetes, fotos...coisas sem nunca tas explicar ou dedicar. Todavia, tu não falas e eu nunca te daria outro uso porque o diário das minhas alegrias, vitórias e conquistas é o meu coração. Nele guardo tudo isso e não preciso de reler para relembrar basta recordar que tudo volta a acontecer, vezes sem conta, no meu pensamento.
Lamento diário mas um dia eu vou-te fechar, guardar na gaveta mais fundo, no meio das coisas mais fúteis, rasgar-te as folhas menos célebres e virar as costas porque tu só significas infelicidade e a minha falta de jeito para manter um novo começo sem recomeçar logo a seguir.

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