
Ainda ontem estavas aqui e eu acreditava em nós. O nós era uma certeza e planeei a minha vida direccionada para ti e contigo incluído. No outro dia já cá não estavas, as certezas agora não passavam de dúvidas e pareceram-me tão distantes.
Descobri, com o tempo que o tempo me deu para reflectir e com a sabedoria que a dor me ofereceu, que eu amo sempre em medida maior do que algum dia serei amada, dou de mim tudo o que o meu ser tem para dar mas nunca ninguém se entrega de mim por completo. O amor que têm por mim fica sempre aquém das minhas expectativas e nunca atinge a mesma plenitude que o meu amor pelos outros. Dei-me conta que me foi roubada parte de mim, eu deixei-me roubar porque deixei, e deixo, a porta do coração aberto e dou o código do cofre protector do meu maior bem (o amor) a todos. O cofre é, por isso, despropositado e o próprio coração também porque NUNCA ninguém vai saber estimalo e fazer dele o que eu sei fazer, e faço, com o dos outros. O que sou ninguém sabe nem quer saber, do meu amor apenas eu tenho conhecimento porque nem à tarefa de o receber se dedicam correctamente. Espero sempre demasiado dos outros e eles têm sempre tão pouco para me dar e o amor, que se deve pagar com amor, recebe apenas um suborno para se calar e não manifestar em demasia porque aquele que incomoda não é bem-vindo.
Coitado de ti Meu Coração! Sabes amar como nenhum outro e nunca és correspondido. Sofres a cada dia uma nova desilusão e em quantas relações falhadas já te envolveste. Sais sempre ferido, despedaçado e é esse o teu estado constante. Todavia, eu tenho orgulho em ti: comigo tu nunca falhaste, recuperaste sempre e estiveste sempre a meu lado nas lutas e nas vitorias, foste tu que adormeceste as minhas magoas e eu reconheço o teu trabalho árduo de amar pessoas que te magoam e, apesar de eu te expor a essa dor constantemente, tu nunca desistes e mantens-te fiel a mim.
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