
Já não dedico o meu tempo à escrita há muito tempo e sinto que não voltarei a fazê-lo. Seria falsidade se viesse falar dos meus sentimentos visto que nem eu sei o que sinto. As coisas vão mudando e mudando, todos os dias uma peça é retirada do seu lugar, outras são partidas quando abro a porta da rua e o vento que sopra, vindo da tempestade que cobre o meu telhado ,varre o corredor coberto de peças envoltas em pó. Todos os bonecos que outrora enfeitaram o meu lar tem agora um ar triste e abandonado, já não cuido deles de manhã antes de sair de casa e já não os ajeito ao fim de semana. Esses bonecos são os meus sentimentos e a minha casa é o meu coração. Se convido alguém que me ajude a arrumar esta confusão e a trazer alegria de novo ao meu mundo as pessoas acovardam-se. O trabalho a fazer é imenso e como não tenho forças para o fazer sozinha e ninguém esta disposto a ajudar eu deixo andar, não varro, não limpo, não mudo os bonecos de sitio e nem abro mais as janelas e as portas apenas são movidas para alguém sair ou para o vento levar a frente parte dos meus enfeites.
Será que o meu lar desfazer-se-a com tempo como essas casas que vemos por ai abandonadas sem dono nem cuidador? As flores do meu jardim já morreram todas, no lugar dos quadros coloquei fotos minhas e dos que mais amo para que quando eu cair posso vê-los por uma última vez e recordar o quanto significam para mim. o meu amor cairá comigo, e tu, que não soubeste ajudar, vais tentar levantar a primeira parede do arrependimento. Não sofras, a tempestade só afronta quem dela tem medo.
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