quinta-feira, 24 de junho de 2010

Remember me

Quem disse que a distancia e o tempo matam os sentimentos mais profundos?
Quem o afirmou certamente jamais amou ou sentiu algo tão profundo (ou quase tão profundo) como o amor. O tempo não aniquila o amor ou sequer abafa a chama, muito pelo contrário, ele exagera tudo, ele dá vida aos mais íntimos desejos, ele desperta a insanidade, leva-nos à loucura.
O tempo aguça a vontade e magoa com a saudade!
O que são dois dias longe de uma paixão comparada com um mês ou um ano (até mais) longe de um verdadeiro amor?
Paixão? Oh essa vai e vem como a própria chama que se ateia facilmente mas se apaga tão rápido quanto se aqueceu e devasta tudo por onde passa deixando lembranças e sentimentos destruídos.
Agora o amor, ah esse não consome, não destroi nem magoa. O amor amadurece como uma fruta esperando na sua árvore pelo momento em que será saboreado. O amor cresce todos os dias e torna-se puro e as suas raízes perfuram o nosso chão, fixam-se e sugam a nossa vida para depois suar a felicidade. O amor é um caminho que nunca deve ser caminhado sozinho mas sim acompanhado por uma, duas, três ou por todas as pessoas que existem, um caminho longo que acaba não com a morte de um dos amantes mas apenas com a dos dois, o amor não é o toque nem a possessão o amor é a recordar, é lembrar e manter viva a imagem do amado no coração. Quem é amado nunca morre realmente.
Eu lembro e relembro quem amo todos os dias. Lembrar é confortar o meu pequeno grande coração com felicidade e dar-lhe motivos para continuar a bater por quem amo. Não preciso que venham (quem amo) e fiquem preciso apenas que tenham passado pela minha vida. Chega-me a recordação, a presença torna-se maçadora e repetitiva ao contrário dos momentos que são todos singulares e irrepetitivéis.
Lembrar é saborear a gota de amor e o cheiro da paixão, é consumir o corpo, e saturar a vida com alegria.
Lembrar é viver, não! É mais, e viver cada momento as vezes que quisermos, é esquecer as más partes e aperfeiçoar à nossa maneira e polir as outras pessoas, os demais intervenientes, para que possamos esquecer o mundo lá fora e mergulhe-mos na insanidade, na ideia louca de que podemos viver de recordações!

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